Mr. Richard sorriu…
—E se eu tiver provas de que, ainda ha bem poucos, teu irmão era ainda o mesmo irreflectido e estouvado rapaz de outros tempos?
—Provas?…
—Se eu te mostrasse que elle hoje, ainda como d'antes, não hesita, para satisfazer doudas e pouco delicadas phantasias, em cortar por certas contemplações, respeitaveis para quem possue intactos os sentimentos de familia, ridiculas talvez para elle?
—É injusto… demasiadamente severo para Charles, senhor.
—Pergunta-lhe se foi em homenagem a essa rapariga, por quem o imaginas apaixonado ha tanto tempo, que elle vendeu o relogio, de que no dia de seus annos eu lhe tinha feito presente. Affligiu-me este facto, não por o valor do objecto, mas porque me revelou uma fraqueza na alma de meu filho, uma tibieza nos sentimentos de dignidade, que não esperava encontrar n'elle.
—Charles affirmou-me que fora um motivo poderoso o que o obrigára…
—Mentiu!—disse Mr. Richard com azedume.
—Ó senhor!—exclamou Jenny, como exprobrando-lhe a dureza da expressão.
—O motivo sei eu qual foi…