Jenny nunca podia adormecer emquanto não ouvisse entrar o irmão, circumstancia que, não obstante, lhe occultava para o não constranger nos seus prazeres, ou de que apenas o fazia conhecedor, quando n'esse constrangimento prevía utilidade.

Tendo por isso notado a hora avançada a que, d'aquella vez, Carlos voltára a casa, deixava-o agora dormir para que restaurasse as forças perdidas pela vigilia da vespera e porventura necessarias para vigilias novas.

Como uma joven mãe, solicita pelo somno do seu primeiro filho, desde manhã cêdo a viam os criados apparecer nas proximidades dos aposentos do irmão, a prevenir e afastar o menor ruido, que podesse despertal-o.

No extenso corredor, que medeiava entre o quarto de Carlos e o resto da casa, passeiava, desde o alvorecer, e com passos levissimos, essa doce figura de mulher, como se fora o anjo da guarda d'aquelle estouvado, que nem suspeitava sob que azas protectoras adormecera.

Ás vezes parava junto da porta de Carlos, e applicando ahi o ouvido attento, parecia espiar o menor rumor que de dentro saísse, a denunciar-lhe o acordar.

Depois afastava-se e dirigia-se lentamente para a sala opposta, onde ía inspeccionar e dirigir os preparativos do lunch de Mr. Richard, cujas horas se aproximavam já.

N'uma d'estas occasiões, em que voltava de dentro do quarto do irmão, encontrou-se com um criado, rapaz ainda, o qual, encostado á ombreira da porta do jardim, parecia tão dominado por pensamentos penosos, que nem lhe deixaram perceber a aproximação de Jenny.

A joven ingleza olhou-o com bondade, e parando junto d'elle perguntou-lhe:

—Como está sua mãe, José?

O rapaz voltou a si e tomando logo uma attitude de respeito, respondeu: