Jenny, desviando os olhos para um periodico de gravuras que estava sobre a mesa, respondeu:

—Não sei que mal haveria em ceder ao impulso d'aquelles dois corações, visto que…

Mr. Richard bateu, algum tempo impacientemente, uma pancada com a mão na secretária, junto da qual tinha parado.

—Julguei que Jenny não conhecia o mundo por o ter visto nas paginas dos romances.

—Não, senhor; não o conheço d'ahi; mas tambem o não conheço por experiencia pessoal. Das lições de meu pae obtive o pouco que d'elle sei; por isso avalio o bom e o mau das nossas acções na vida, á luz do dever e da consciencia. Não foi o que me ensinou?

Mr. Richard aceitou com um sorriso a correcção filial.

—Pois foi á luz do dever e da consciencia que eu procedi.

—Julguei que, depois do acontecido, o dever lhe aconselharia outra cousa.

—Algum absurdo? Loucuras?… Phantasias? És mulher a final, Jenny!

Jenny aproximou-se do pae, que viera sentar-se em uma cadeira junto do fogão; apoiou-se-lhe ao hombro e, a meia voz, disse-lhe como a brincar: