—Desejava agora, por um momento só, deixar de ser sua filha, senhor.
—Para quê?
—Para me atrever a fazer-lhe uma pergunta.
—Auctoriso-te a fazel-a, Jenny—respondeu o inglez, completamente desarmado contra a diplomacia da filha.
—Auctorisa? Eu sei?!
—Exijo até que a faças.
—Sou mulher a final! disse o pae… Póde ser… E como mulher tenho talvez o meu fraco pelo sentimento—preconceitos do coração… Não é isto?… Mas… era a pergunta que eu, se não fosse sua filha, lhe quereria fazer: mas esse seu espirito, recto, esclarecido e forte… julgará sem preconceitos d'esta vez?
—Que preconceitos queres que sejam os meus?—perguntou Mr. Richard, desviando os olhos.
—Quem sabe lá? Cecilia é filha de Manoel Quentino, um homem honrado, mas… subalterno; fiel, mas pobre; um caracter generoso, mas… educado na escola da obediencia; capaz de se sacrificar por nós, mas… vivendo dos ordenados da nossa casa.
—Douda! Então não me fazes a justiça de acreditar que a força da minha razão seria bastante para vencer esses preconceitos de educação… quando os tivesse?—disse Mr. Richard, porém de modo, que estava justificando Jenny.