—Toca a pôr a pé, que são horas!—dizia o André, occupando-se a levantar alguns dos objectos que via pelo chão.

—Deshumano, cruel, que me recordas?—respondeu-lhe Carlos em tom de recitação tragica.

—Vamos, vamos, preguiçoso.

Carlos abriu ainda outra vez a bôca em gesto quasi sentimental de despedida ao somno que se afastava; afagou com a mão o colossal terra-nova, que veio pousar-lhe a cabeça nos joelhos, e abriu ao acaso o livro que encontrou á mão, um romance de Dickens, do qual leu algumas linhas distrahido.

—Então?—insistiu o André, vendo-o pouco disposto a levantar-se—Fica ahi?

—Vae-me buscar o almoço, homem. Traze-me só café. Parece-me que inda agora terminei aquelle turbulento jantar de hontem.

—Então quer almoçar aqui?

—E julgo que é uma resolução muito louvavel.

—Mas…

—Mas o quê?… Que objecções lhe pões? Falla.