—Ouve. Ella insistiu. Disse-me que lhe poderia fazer muito mal se teimasse, e eu insisti…
—Como és ás vezes tão mau!
—Mas se eu não acreditava na sinceridade d'aquelles mêdos, e agora mesmo… Mas a final, a rapariga disse-me com uma voz chorosa e na qual me pareceu descobrir tanta sinceridade: «—Peço-lhe este favor por…» Adivinhas por quem ella me foi pedir?
—Não.
—«Peço-lhe este favor por sua irmã, por Jenny»; sim, por ti, foi por ti que ella me pediu e fêl-o ajuntando as mãos com tal candura, que eu… Precisas de perguntar-me se condescendi d'esta vez?
Jenny estendeu a mão ao irmão.
—Obrigada. A final o bem triumpha sempre no teu coração. Estava certa d'isso.
Carlos baixou a cabeça, como mortificado com estes louvores da irmã. Dir-se-hia que aquellas palavras lhe estavam a fazer sentir remorsos, longe de os desvanecerem.
Depois de uma hesitação de momentos, terminou por dizer, com evidente enleio:
—Olha, Jenny… eu por fim de contas não sou homem para aceitar louvores que não mereço… repugna-me esta hypocrisia; custa-me deveras, mas… sou forçado a dizer-te que… que não sou digno d'esses applausos.