—Porquê?
—Porque… alguma cousa se passou… Eu não disse tudo ainda e… É verdade que… condescendi… sim… mas não tão desinteressadamente como… sim… porque exigi… usurpei… á maneira de compensação…
—O quê?
—Um beijo, ao qual a pobre rapariga não retirou a tempo a face e que a lançou n'uma especie de desespêro, fingido talvez, de certo… mas bem fingido…
Jenny reproduziu o gesto de desgosto.
—Mas não me condemnes, Jenny,—apressou-se Carlos a acrescentar—porque a final eu nem lhe vi o rosto, e estou provavelmente condemnado a nunca descobrir quem ella seja. Além d'isso cumpri religiosamente o promettido, renunciando a acompanhal-a, o que me custou devéras; ainda hoje me preoccupa o olhar, a voz d'aquella rapariga e quasi lamento… Vamos, não continues a olhar-me d'esse modo. Pois recusas perdoar-me, quando eu…
—A fallar verdade, mereces bem pouco que te perdoem. Mas, como cedeste em meu nome, quasi me tiraste o direito de ser severa. O final… o final… na verdade…
—E vês o meu endurecimento na culpa? foi isso de toda a aventura o que me deixou mais agradavel memoria de si…
—Então!—disse Jenny, batendo-lhe com o livro na mão—Olha se queres que retire ainda o perdão que já te dei. Que mais terás a pezar-te na consciencia? aproveita o ensejo d'esta minha disposição benevola.
—Julgo que não tenho mais nada.