A Anselmo continuava no emtanto a afigurar-se-lhe aquilo um sonho. Assim tão de repente, sem se falar em nada, sem ameaças de crise... Não seria balela?
O jornalista então pôs-se a raciocinar: Qual! era lógico; o Hintze fartára-se lá de fazer asneiras, e antes dêle toda a gente sabia que quem governava não era o Zé Luciano: era a mulher.
Tomou fôlego, prosseguiu:
—Quando aí veio o imperador da Alemanha, e a rainha Alexandra, e o outro... (fez um gesto com o polegar na direcção da raia) o de Espanha, nem sequer tínhamos um presidente do conselho em termos de se apresentar! Uma vergonha!
Cuspinhou, bateu com a bengala, consultou o relógio. Era tarde.
—Olha o Teotónio! Você aí!—disse, dando por mim.—Desculpe, não tinha reparado... Então que diz a isto?
—Eu?...[{55}]
—Sim, que diz você a isto?
Encolhi os ombros, sem responder, verdadeiramente embaraçado. E êle:
—Nem de encomenda, meu caro, nem de encomenda! O João Franco nestas alturas foi a sorte grande para o país!