—Haja em vista,—justifiquei, voltando-me para êle,—o que V. Ex.ª fez da outra vez por ocasião da gréve das leiteiras!
—Ora, ora...—desdenhou Anselmo.
—É a verdade, é a verdade! aplaudiu o Menezes.—Está na memoria de todos. De todos!—repetiu, aprumando-se, nos bicos dos pés.
—Andava-se aterrado, continuei, como na véspera dos grandes acontecimentos. Dizia-se que ficaríamos sem leite na vila por uns poucos de dias!
—Um alimento de primeira necessidade...—avolumou o jornalista.
—Vai então o sr. Anselmo, num abrir e fechar de olhos, resolveu. Lembro-me como se fôsse hoje da memorável sessão a que assisti e em que V. Ex.ª sossegou a população, declarando que uma gréve dessa natureza seria para temer se em vez de ser feita pelas vendedeiras de leite, fôsse feita pelas próprias vacas...[{57}]
—Sim senhor...—confirmou o Menezes.—Lembro-me perfeitamente; eu tambêm lá estava. Por sinal que estreei um fato nêsse dia...
—Emfim, rematei, e quantas coisas mais!? A quem se deve por exemplo o melhoramento entre nós do carro do lixo?
Menezes coadjuvou-me, indicou o boticário:
—A êle!