Anselmo torneou o balcão, veio dizer-me ao ouvido:
—O rei, entende? que tem um medo dos rèpublicanos que se fina (isto aqui para nós) e quer lá no poder um homem de envergadura, um homem que os tenha no seu lugar, ora entende o senhor? Para isso, ninguêm mais nas[{60}] condições de que o João Franco. O João Franco é um valente! Se lhe constar, verbi gratia, estando aqui, que lá fóra a uma esquina há um homem com um cacete á espera dêle—acredite—é quando lá passa mais depressa. Olha quem!... Nem o Bismarck!
Eu ia acompanhando com interjeições o caloroso panegírico do ministro. E quando Anselmo terminou:
—Efectivamente, o João Franco...
Anselmo benzeu-se:
—Ah! meu amigo: é um colôsso!
Fez-se silêncio. O boticário acondicionava numa caixinha a pomada preparada. Assoou-se. Escreveu um rótulo e colou-o na tampa, a assobiar o hino da carta.
—Diga-me uma coisa, inquiri; o Menezes não era progressista?
—Era; mas passou-se para os nossos há-de haver um mês. É um convicto.
—Parece.