Anselmo foi verificar. Inclinando para o solo o dedo indicador, hirto, num gesto omnipotente, informou:
—Desce!
—Ah! Ótimo... Assim era duma pessoa morrer!
E muito meneado, o jornalista lá se foi de vez a semear notícias.
Dispus-me então a comentar o caso a sós com o Anselmo. Do seu facundo e preclaro espírito viria até mim, triste mortal, o bom conselho, a opinião autorisada e justa...
Ministério em terra, o João Franco inesperadamente no poder... Era com efeito um extravagante acontecimento.
Eu nunca fôra, porêm, um político interessado. A dizer a verdade, não sabia mesmo[{59}] se aquele facto, na aparência sensacional, representava uma vantagem ou um inconveniente para o país. Não me encontrára jámais inclinado para êstes ou para aqueles. A ser um franquista, um progressista ou um regenerador, preferia não ser coisa nenhuma—que é para o que eu me sinto rialmente com vocação...
Naquele momento todavia achei o João Franco simpático. Decerto vinha animado de bons propósitos, decerto; e era um homem rico, o que—seja dito de passagem—significava uma grande segurança para a inviolabilidade do Tesouro... Menezes tinha razão.
Todas estas considerações eu adusi a Anselmo, que me fitava e sorria satisfeito.
—Mas porque caíria o Hintze? indaguei.