—O Menezes, mal aquilo lhe chega aos ouvidos—êle que é um esturrado!—agarra num vergalho e onde encontra o Souto prega-lhe uma destas coças...

—Bem feito.

—De manhã já o Menezes aqui me tinha[{62}] dito a mim, furioso: «Juro-lhe, Anselmo, que onde encontro aquele tratante, quebro-lhe um côrno».—Se bem o disse melhor o fez: vai e quebrou-lho.

—Anda-me.

—No domingo imediato, quando tudo supunha a questão arrumada, zás: sai o jornal? Eu cheguei a saber aquilo tudo de cór, homem!

Concentrou-se, os olhos fechados, a mão na testa, a ver se se lembrava.

E com pesar:

—Já não vai; paciência!

—É pena.

—Mas digo-lhe o final, descance, que êsse é daqui...—e beliscava o lóbulo da orelha. Então, o braço estendido, em atitude declamatória, o polegar e o índice aplicados num gesto precioso, recitou, com uma pontinha de malicia nos olhos: «Diz D. Bazílio que da calúnia alguma coisa fica. Não temêmos, porêm, etc., etc., etc....» Repare agora: «Os aleives resvalam na consciência dos justos como zagalotes no aço.» (Anselmo sublinhava: como zagalotes no aço...). «Todo o mundo sabe que só[{63}] usamos o que nos pertence...» (Piscadela de ôlho do Anselmo) «Não costumamos botar figura com coisas alheias: o dinheiro dos amigos ou as joias das amantes: Meneses dos Santos».