Não percebêra. Suava com o calor, nas fontes, nas bochechas, mórmente nos refêgos[{12}] do cachaço, duma grande riquêsa de tecidos celulares...
Entrou depois a divagar sôbre economias expondo-me numa franqueza saloia o orçamento da viagem; e tentou por último explicar pela hereditariedade a compleição mórbida do filho:
—Isto é de familia! O avô dêle, meu pai, tambêm assim era: sempre doente, sempre com remédios. Mas a avó, é curioso! robusta, còrada, parecendo que vendia saúde... Eu, aonde me vê, nunca tive uma dôr de cabeça! Mas já um tio que nos morreu há três anos...—Voltou-se para uma das filhas:—O tio Aristides...
—Ah!
E relatou o que era êsse tio, com os seus achaques, suas mazelas, seus ungùentos e seus tumores supurativos, em salvo lugar...
Alves dispunha-se em suma a fazer-me seguir todas as ramificações patológicas da sua ascendência! Passei a não lhe responder, dizendo-lhe a tudo que sim, com a cabeça.
E a rapariga, de lá, muito meiga...[{13}]
No meio desta felicidade, porêm, a certa altura—na altura de Ovar—passou-se um episódio triste, de que fui vítima, o qual produziu profundo desgôsto em todos nós. Fôra o caso que, sobranceira ao meu lugar, ia uma cesta; senão quando, aí se põe ela a mijar sôbre mim, no meu chapéu mole, qualquer gorduroso líquido em fio... Ergo-me dum pulo. Houve um alvoroço no compartimento. Alves gritou: «oh, demónio! oh, demónio!»
Entretanto alguêm explicava que tinha sido o môlho do peixe que se entornára...
O môlho do peixe!