—Arranje a sr.ª cá e chame-me quando fôr preciso...

Era o momento!

Mas, sendo mulher, fraca, portanto, e irresoluta, quis estribar-se na opinião do médico, pessoa tambêm da sua inteira confiança.[{103}]

—A minha opinião? disse-lhe êle.—Mas alguêm tem que dar para aí a sua opinião?

Ela encarou-o com espanto, sem compreender.

—Entendo que um casamento deve ser feito à vontade dos que se casam, explicou o médico.—Casam bem? casam mal? Lá é com êles...

—Perdão, interrompeu a viuva.—Eu, que sou a mãe, tenho naturalmente que intervir dalgum modo na orientação, ou na escolha...

—Conforme, minha sr.ª, conforme... Se se trata apenas de orientar, de dirigir a sua filha nêsse passo, está bem; mas propriamente a escolha, é a ela só que pertence. Os filhos não são—como muita gente póde ainda erradamente presumir,—uma legítima propriedade dos pais... Os filhos são pessoas independentes, com direitos, com atribuições...

—De maneira que o doutor condena a minha atitude? Entende que eu devo desinteressar-me por completo do futuro da minha filha?...[{104}]

—Por completo!? Mas quem pensa nisso? Por completo, não, evidentemente...