—Bonita doutrina, não haja duvida, murmurava D. Leonor sem o ouvir, fula, mordendo o beiço, batendo nervosamente com o leque no joelho, repetidas vezes.—«Casa-te, casa-te p'r'aí, rapariga, com o primeiro que te apareça...» Haviamos de vê-las bonitas, se assim fôsse!...

O médico desistiu de discutir.

—Bem! rematou, erguendo-se,—para terminar: quer V. Ex.ª um conselho, um conselho de amigo, de pessoa que conhece um bocado a vida e que tem levado muito ponta-pé e aprendido à sua custa o pouco que sabe? Quer?

D. Leonor não respondeu.

—Não obrigue sua filha a casar com semelhante homem.

—Ora essa! Com quem quer o doutor então que ela case?

—Sei lá! Mas naturalmente com quem ela quiser...

E pôs termo.[{105}]

D. Leonor não desanimou. A manobra do casamento com o velho seguiu seus trâmites. Na cidade a indignação era geral. Para mais havia constado a scena da entrevista com o médico, as suas discordâncias, o ligeiro amuo subseqùente...

—Víbora! víbora! dizia-se.—O dr. Marim bem a conhece...