E formulavam-se as piores insídias: que o ilustre Xavier era amante da D. Leonor e que impunha agora o casamento com a filha sob pena dum escândalo.
Havia quem gostasse disto, havia quem não gostasse; a maioria dizia:
—É bem feito! aquilo não se faz...
No cúmulo da revolta, Malafaia, em verdadeiros comícios nas lojas, lembrava que era preciso salvar aquela criança custasse o que custasse... E com teatral entono, instigava:
—É preciso ir lá (fazia o gesto de quem aponta uma Bastilha) arrombar as portas e pôr a infeliz no ôlho da rua!
A coisa estava neste pé.[{106}]
Certo dia o dr. Marim recolhia a casa, cedo, para almoçar. A criada, uma velha servente encarquilhada e sêca como uma casca de noz, a coxear da sciática, disse-lhe, mal êle se poz a desdobrar o guardanapo:
—Então, já sabe? A menina Candidinha parece que já não casa com o sr. Xavier. Está desfeito.
O médico teve um gesto de mau humor irreprimivel:
—Lá esta você! Todos os dias novidades! Quando é que esta criatura se cansará de dar novidades?