Argonautas do Mistério que elevam a consciência a eternas visões da realidade.

Mas o mais insignificante Poeta é ainda capaz de fixar qualquer fugitivo estremecimento e chamá-lo para a vida no próprio instante em que silenciosamente se ia fenecendo.

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A Arte é um formidável fenómeno de osmose: a alma do artista ressoa de tôdos os estremecimentos da natureza e a natureza é pintada com as tintas da sua alma.

O Universo, é convívio, por isso o artista retribui, e em excesso, tôdas as dádivas que recebeu.

O Mar, o mar dos portugueses, entrou pelas órbitas do Poeta e saiu cantando as oitavas dos «Lusíadas».{12}

E tão íntimo foi o abraço, tão perfeita a transfusão que o marulho longínquo do Oceano é esta própria fala:

«Bramindo o negro mar de longe brada
Como se desse em vão nalgum rochedo»

Portugal encapela-se em ondas, a sua vida comunica-se e de praia a praia é um abraço cingindo o planeta.

A vida do planeta é convivência no Infinito, a alma de Camões ligou, pelos fios invisiveis da memória, o Mar e a Pátria à vida espiritual do Universo.