Ella voltou querendo afastar do espirito aquelle desacordo que o camarada indicara, mas não pôde. Era certo. Pela primeira vez notava que o self-help do Governo era só para os nacionaes; para os outros todos os auxilios e facilidades, não contando com a sua anterior educação e apoio dos patricios.

E a terra não era delle? Mas de quem era então, tanta terra abandonada que se encontrava por ahi? Ella vira até fazendas fechadas, com as casas em ruinas... Porque esse acaparamento, esses latifundios inuteis e improductivos?

A fraqueza de attenção não lhe permittiu pensar mais no problema. Foi vindo para casa, tanto mais que era hora de jantar e a fome lhe chegava.

Encontrou o marido e o padrinho a conversar. Aquelle perdera um pouco da sua morgue; havia mesmo occasião em que era até natural. Quando ella chegou, o padrinho exclamava:

—Adubos! É lá possivel que um brasileiro tenha tal idéa! Pois se temos as terras mais ferteis do mundo!

—Mas se esgotam, Major, observou o doutor

D. Adelaide, calada, seguia com attenção o crochet que estava fazendo; Ricardo ouvia, com os olhos arregalados; e Olga intrometteu-se na conversa:

—Que zanga é essa, padrinho?

—É teu marido que quer convencer-me que as nossas terras precisam de adubos... Isto é até uma injuria!

—Pois fique certo, Major, se eu fosse o senhor, adduziu o doutor, ensaiava uns phosphatos...