—O poder é o poder, Albernaz.
Vinham andando em demanda á estação de S. Christovão. Atravessaram o velho parque imperial transversalmente, desde o portão da Cancella até á linha da Estrada de Ferro. Era de manhã, e o dia estava limpido e fresco.
Caminhavam com pequenos passos seguros, mas sem pressa. Pouco antes de sahirem da Quinta, deram com um soldado a dormir numa moita. Albernaz teve vontade de acordal-o: camarada! camarada! O soldado levantou-se estremunhado: e, dando com aquelles dous officiaes superiores, concertou-se rapidamente, fez a continencia que lhes era devida e ficou com a mão no bonet, um instante firme, mas logo bambeou.
—Abaixe a mão, fez o General. Que faz você aqui?
Albernaz falou em tom rispido e de commando. A praça, falando a medo, explicou que tinha estado de ronda ao litoral toda a noite. A força se recolhera aos quarteis; elle obtivera licença para ir em casa, mas o somno fôra muito e descançava ali um pouco.
—Então como vão as cousas? perguntou o General.
—Não sei, não sinhô.
—Os homens desistem ou não?
O General esteve um instante examinando o soldado, Era branco e tinha os cabellos alourados, de um louro sujo e degradado; as feições eram feias: mallares salientes, testa ossea e todo elle anguloso e desconjuntado.
—Donde você é? perguntou-lhe ainda Albernaz.