Os dous generaes continuaram o seu caminho e, em breve, estavam na plataforma, da estação. A pequena estação tinha um razoavel movimento. Um grande numero de officiaes, activos, reformados, honorarios moravam-lhe nas cercanias e os editaes chamavam todos a se apresentar ás autoridades competentes. Albernaz e Caldas atravessaram a plataforma no meio de continencias. O General, era mais conhecido em virtude de seu emprego; o Almirante, não. Quando passavam, ouviam perguntar: «quem é este Almirante»? Caldas ficava contente e orgulhava-se um pouco do seu posto e do seu incognito.

Havia uma unica mulher na estação, uma moça. Albernaz olhou-a e lembrou-se um instante de sua filha Ismenia... Coitada!... Ficaria boa?

Aquellas manias? Onde iria parar? Vieram-lhe as lagrimas, mas elle as reteve com força.

Já a levara a uma meia duzia de medicos e nenhum fazia parar aquelle escapamento do juizo que parecia fugir aos poucos do cerebro da moça.

A bulha de um expresso, chocalhando ferragens com estrepido, apitando com furia e deixando fumaça pesada, pelos ares que rompia, afastou-o de pensar na filha. Passou o monstro, pejado de soldados, de uniformes e os trilhos, depois de ter passado, ainda estremeciam.

Bustamante appareceu; morava nos arredores e vinha tomar o trem, para apresentar-se. Trazia o seu velho uniforme do Paraguay, talhado segundo os moldes dos guerreiros da Criméa. A barretina era um tronco de cône que avançava para a frente; e, com aquella banda roxa e casaquinha curta, parecia ter sahido, fugido, saltado de uma téla de Victor Meirelles.

—Então por aqui?... Que é isto? indagou o honorario.

—Viemos pela Quinta, disse o Almirante.

—Nada, meus amigos, esses bondes andam muito perto do mar... Não me importa morrer, mas quero morrer combatendo; isso de morrer por ahi, á toa, sem saber como, não vai commigo...

O General falara um pouco alto e os jovens officiaes que estavam proximo, olharam-n'o com mal disfarçada censura. Albernaz percebeu e ajuntou immmediatamente: