Não era feia a menina, a filha do General, vizinho de Quaresma. Era até bem sympathica, com a sua physionomia de pequenos traços mal desenhados e cobertos de umas tintas de bondade.
Aquelle seu noivado durava ha annos; o noivo, o tal Cavalcanti, estudava para dentista, um curso de dous annos, mas que elle arrastava ha quatro, e Ismenia tinha sempre que responder á famosa pergunta:—«Então quando se casa»?—«Não sei... Cavalcanti forma-se para o anno e...»
Intimamente ella não se incommodava. Na vida, para ella, só havia uma cousa importante: casar-se; mas pressa não tinha, nada nella a pedia. Já agarrara um noivo, o resto era questão de tempo...
Após responder a D. Adelaide, explicou o motivo da visita.
Viera, em nome do pai, convidar Ricardo Coração dos Outros a cantar em casa della.
—Papai, disse D. Ismenia, gosta muito de modinhas... do Norte; a senhora sabe, D. Adelaide, que gente do Norte aprecia muito. Venham.
E para lá foram.
II
REFORMAS RADICAES
Havia bem dez dias que o major Quaresma não sahia do casa. Na sua meiga, e socegada casa de S. Christovão, enchia os dias da fórma mais util e agradavel ás necessidades do seu espirito, e do seu temperamento. De manhã, depois da toilette, e do café, sentava-se no divan da sala principal e lia os jornaes. Lia diversos, porque sempre esperava encontrar num ou noutro uma noticia curiosa, a suggestão de uma idéa util á sua cara patria. Os seus habitos burocraticos faziam-no almoçar cedo; e, embora estivesse de férias, para os não perder, continuava a tomar a primeira refeição de garfo ás nove e meia da manhã.