A conversa se havia passado na esquina da rua Larga com o Campo de Sant'Anna. Quaresma pretendia tomar um bonde que o levasse ao centro da cidade. Tencionava visitar o compadre em Botafogo, fazendo, assim, horas para a sua iniciação militar.

A praça estava pouco transitada; os bondes passavam ao chouto compassado das mulas; de quando em quando ou via-se um toque de corneta, rufos de tambor, e do portão central do Quartel General sahia uma força, armas ao hombro, bayonetas caladas, dansando nos hombros dos recrutas, faiscando com um brilho duro e máu.

Ia tomar o bonde, quando se ouviram alguns disparos de artilharia e o secco espoucar dos fuzis. Não durou muito; antes que o bonde attingisse á rua da Constituição, todos os rumores guerreiros tinham cessado, e quem não estivesse avisado havia de suppor-se em tempos normaes.

Quaresma chegou-se para o centro do banco e ia ler o jornal que comprara. Desdobrou-o vagarosamente, mas foi logo interrompido; bateram-lhe no hombro. Voltou-se.

—Oh! General!

O encontro foi cordial. O General Albernaz gostava dessas cerimonias e tinha mesmo um prazer, uma deliciosa emoção em reatar conhecimentos que se tinham enfraquecido por uma separação qualquer. Estava fardado, com aquelle seu uniforme mal tratado; não trazia espada e o pince-nez continuava preso por um trancelim de ouro que lhe passava por detraz da orelha esquerda.

—Então vem ver a cousa?

—Vim. Já me apresentei ao Marechal.

Elles vão ver com quem se metteram. Pensam que tratam com o Deodoro, enganam-se!... A Republica, graças a Deus, tem agora um homem na sua frente... O caboclo é de ferro... No Paraguay...

—O Sr. conheceu-o lá, não, General?