—Estamos em difficuldades... Fardamento, calçado para as praças... Nas primeiras despezas devemos auxiliar o Governo... Não convém sangrar o Thesouro, não acha?

—Certamente, disse com enthusiasmo Quaresma.

—Folgo muito que o senhor concorde comigo... Vejo que é um patriota... Resolvi por isso fazer um rateio pelos officiaes, em proporção ao posto: um alferes concorre com cem mil réis, um tenente com duzentos... O senhor que patente quer? Ah! É verdade! O senhor é major, não é?

Quaresma então explicou por que o tratavam por Major. Um amigo, influencia no Ministerio do Interior, lhe tinha mettido o nome numa lista de guardas nacionaes, com esse posto. Nunca tendo pago os emolumentos, viu-se, entretanto, sempre tratado Major, e a cousa pegou. A principio, protestou, mas como teimassem deixou.

—Bem, fez Bustamante. O senhor fica mesmo sendo Major.

—Qual é a minha quota?

—Quatrocentos mil réis. Um pouco forte, mas... O senhor sabe; é um posto importante... Aceita?

—Pois não.

Bustamante tirou a carteira, tomou nota com uma pontinha do lapiz e despediu-se jovialmente.

—Então, Major, ás seis, no quartel provisorio.