Quaresma jantou num restaurant e dirigiu-se ao quartel, que funccionava provisoriamente num velho cortiço condemnado pela hygiene, lá pelos lados da cidade Nova. Tinha o tal cortiço andar terreo e sobrado, ambos divididos em cubiculos do tamanho de camarotes de navio. No sobrado, havia uma varanda de grade de páu e uma escada de madeira levava até lá, escada tosca e oscillante, que gemia á menor passada. A casa da ordem funccionava no primeiro quartinho do sobrado e o pateo, já sem as cordas de seccar ao sol a roupa, mas com as pedras manchadas das barrélas e da agua de sabão, servia para a instrucção dos recrutas. O instructor era um sargento reformado, um tanto coxo, e admittido no batalhão com o posto de alferes, que gritava com uma demora majestosa: hom—brô... armas!

O Major entregou a sua quota ao coronel e este esteve a mostrar-lhe o modelo do fardamento.

Era muito singular essa fantasia de seringueiro: o dolman era verde-garrafa e tinha uns vivos azul ferrete, alamares dourados e quatro estrellas prateadas, em cruz, na góla.

Uma gritaria fel-os vir até á varanda. Entre soldados entrava um homem, a se debater, a chorar e a implorar, ao mesmo tempo, levando de quando em quando uma reflada.

—É o Ricardo! exclamou Quaresma. O senhor não o conhece, Coronel? continuou ele com interesse e piedade.

Bustamante estava impassivel na varanda e só respondeu depois de algum tempo:

—Conheço... É um voluntario recalcitrante, um patriota rebelde.

Os soldados subiram com o voluntario e Ricardo logo que deu com o major, suplicou-lhe:

—Salve-me major!

Quaresma chamou de parte o Coronel, rogou-lhe e supplicou-lhe, mas foi inutil... Ha necessidade de gente... Enfim, fazia-o cabo.