A revolta já tinha mais de quatro mezes de vida e as vantagens do Governo eram problematicas. No Sul, a insurreição chegava ás portas de S. Paulo, e só a Lapa resistia tenazmente, uma das poucas paginas dignas e limpas de todo aquelle enxurro de paixões. A pequena cidade tinha dentro de suas trincheiras o Coronel Gomes Carneiro, uma energia, uma vontade, verdadeiramente isso, porque era sereno, confiante e justo. Não se desmanchou em violencias de apavorado e soube tornar verdade a gasta phrase grandiloquente: resistir até á morte.

A ilha do Governador tinha sido occupada e Magé tomado, os revoltosos, porém, tinham a vasta bahia e a barra apertada, por onde sahiam e entravam, sem temer o estorvo das fortalezas.

As violencias, os crimes que tinham assignalado esses dous marcos de actividade guerreira do Governo, chegavam ao ouvido de Quaresma e elle soffria.

Da ilha do Governador fez-se uma verdadeira mudança de moveis, roupas e outros haveres. O que não podia ser transportado, era destruido pelo fogo e pelo machado.

A occupação deixou lá a mais execranda memoria, e até hoje os seus habitantes ainda se recordam dolorosamente de um Capitão, patriotico ou da guarda nacional, Ortiz, pela sua ferocidade e insoffrido gosto pelo saque e outras vexações. Passava um pescador, com uma tampa de peixe, e o Capitão chamava o pobre homem:

—Venha cá!

O homem approximava-se amedrontado e Ortiz perguntava.

—Quanto quer por isso?

—Tres mil réis, capitão.

Elle sorria diabolicamente e familiarmente regateava: