—Entre nós, adduziu Caldas, não ha mais gente que preste... Isto é um paiz perdido, acaba colonia ingleza...
Coçou nervoso um dos favoritos e esteve um instante a olhar o ladrilho do chão. Albernaz avançou, meio sarcastico:
—Agora não; agora a autoridade está prestigiada, consolidada, e uma era de progresso vai abrir-se para o Brasil.
—Qual o que! Onde é que você viu um Governo...
—Mais baixo, Caldas!
—...onde é que se viu um Governo que não aproveita as aptidões, abandona-as, deixa-as por ahi vegetar?... Dá-se o mesmo com as nossas riquezas naturaes: jazem por ahi á toa!
A sineta soou e olharam um pouco a nave cheia. Pela porta, via-se uma porção de homens, todos de negro, ajoelhados, contrictos, batendo nos peitos, a confessar de si para si: mea culpa, mea maxima culpa...
Uma restea de sol coava-se por uma das aberturas do alto e resplandecia sobre algumas cabeças.
Insensivelmente, os dous, na sacristia, levaram a mão ao peito e confessaram tambem: mea culpa, mea maxima culpa...
A missa veiu a acabar e ambos entraram para o abraço da pragmatica. A nave rescendia a incenso e tinha um aspecto tranquillo de immortalidade.