—Forte! Uns calhambeques, homem!
Caldas continha a custo a furia que lhe ia n'alma. O céo estava azul e calmo. Havia nelle nuvens brancas, leves, esgarçadas, que se moviam lentamente, como velas, naquelle mar infinito. Genelicio olhou-o um pouco e aconselhou:
—Almirante não fale assim... Olhe que...
—Qual! Não tenho medo... Porcarias!...
—Bom, fez Genelicio, eu tenho que ir á rua Primeiro de Março e...
Despediu-se e sahiu com o seu traje de chumbo, curvado, olhando o chão com o seu pince-nez azulado, palmilhando a rua com passo meudo e cauteloso.
Albernaz e Caldas ainda estiveram conversando um tempo e se despediram sempre amigos, cada um com o seu desgosto e a sua decepção.
Tinham razão: a revolta veiu a acabar d'ahi a dias. A esquadra legal entrou: os officiaes revoltosos se refugiaram nos navios de guerra portuguezes e o Marechal Floriano ficou senhor da bahia.
No dia da entrada, acreditando que houvesse canhoneio, uma grande parte da população abandonou a cidade, refugiando-se nos suburbios, por baixo das arvores, na casa de amigos ou nos galpões construidos adrede pelo Estado.
Era de ver o terror que se estampava naquellas physionomias, a ancia e a angustia tambem. Levavam trouxas, samburás, pequenas malas; crianças de peito, a chorar, o papagaio querido, o cachorro de estimação, o passarinho que de ha muito quebrava a tristeza de uma casa pobre.