—O senhor não sabe que o Major Quaresma está preso?

—Quem é?

—Aquelle que foi vizinho do seu sogro.

—Aquelle maluco... Ahn!... E d'ahi?

—Eu queria que o senhor se interessasse...

—Não me metto nessas cousas, meu amigo. O Governo tem sempre razão. Passe bem.

E Genelicio seguiu com o seu passo cauteloso de quem poupa as solas das botas, emquanto Ricardo ficava de pé a olhar o largo, a gente que passava, a estatua immovel, as casas feias, a igreja... Tudo lhe pareceu hostil, máo ou indifferente; aquellas caras de homens tinham cataduras de feras e elle quiz por um momento chorar de desespero por não poder salvar o amigo.

Lembrou-se, porém, de Albernaz, e correu a procural-o. Não era longe, mas o General ainda não tinha chegado. Ao fim de uma hora o General chegou e, dando com Ricardo, perguntou:

—Que ha?

O trovador, bastante emocionado, explicou-lhe com voz dorida todo o facto. Albernaz concertou o pince-nez, ageitou bem o trancelim de ouro na orelha e disse com doçura: