—Meu filho, eu não passo... Você sabe: sou governista e parece, se eu fôr pedir por um preso, que já não o sou bastante... Sinto muito, mas... que se ha de fazer? Paciencia.

E entrou para o seu gabinete prazenteiro, muito seguro de si, dentro do seu placido uniforme de General.

Os officiaes continuavam a entrar e a sahir; as campainhas soavam; os continuos iam r vinham; e Ricardo procurava entre todas aquellas physionomias uma que lhe pudesse valer. Não havia e elle desesperava. Mas quem havia de ser? Quem? Lembrou-se: o commandante; e foi ter com o Coronel Bustamante, na velha estalagem que servia de quartel ao garboso «Cruzeiro do Sul».

O batalhão ainda continuava em pé de guerra. Embora terminada a revolta no porto do Rio de Janeiro era preciso mandar forças para o Sul, de forma que os batalhões não tinham sido dissolvidos e um dos apontados para partir era o «Cruzeiro».

O Alferes côxo, no ensaboado pateo da antiga estalagem, continuava na sua faina de instructor dos novos recrutas. Hom—brôoo... armas! Mei—ãã volta!

Ricardo entrou, subiu rapidamente a oscillante escada do velho cortiço e logo que chegou ao cubiculo do commandante, gritou: com licença, Commandante!

Bustamante andava de máo humor. Aquelle negocio de partir para o Paraná não lhe agradava. Como é que havia de superintender a escripta do batalhão, no fervor de batalhas, nas desordens de marchas e contramarchas? Isso era uma tolice do Commandante marchar; o chefe devia ficar a resguardo, para providenciar e dirigir a escripturação.

Elle pensava nessas cousas, quando Ricardo pediu licença.

—Entre, disse elle.

O bravo Coronel coçava a grande barba mosaica, tinha o dolman desabotoado e acabava de calçar um dos pes de botina, para com mais decencia receber o inferior.