—Que hei de fazer, meu Deus? repetiu ella.
Pela primeira vez, ella sentiu que a vida tinha cousa desesperadoras. Possuia a mais forte disposição de salvar seu padrinho; faria sacrificio de tudo, mas era impossivel, impossivel! Não havia um meio; não havia um caminho. Ella tinha que ir para o posto de supplicio, tinha que subir o seu Calvario, sem esperança de ressurreição.
—Talvez seu marido, disse Ricardo.
Pensou um pouco, demorou-se mais no exame do caracter do esposo; mas, em breve, viu bem que o seu egoismo, a sua ambição e a sua ferocidade interesseira não pemittiriam que elle désse o minimo passo.
—Qual, esse...
Ricardo não sabia o que aconselhal-a e olhava sem pensamento os moveis e a montanha negra e alta que se avistava da sala onde estavam. Queria encontrar um alvitre, um conselho; mas nada!
A moça continuava a cravar os dedos nos seus cabellos negros e a olhar a mesa em que repousavam os seus cotovellos. O silencio era augusto.
Num dado momento, Ricardo teve uma grande alegria no olhar e disse:
—Se a senhora fosse lá...
Ella levantou a cabeça; os seus olhos se dilataram, de espanto e o rosto lhe ficou rigido. Pensou um pouco, um nada, e falou com firmeza: