—Estás no theatro?

Ella lhe respondeu logo:

—Se é só no theatro que ha grandes cousas, estou.

E accrescentou com força:

—É o que te digo: vou e vou, porque devo, porque quero, porque é do meu direito.

Apanhou a sombrinha, concertou o véo e sahiu solemne, firme, alta e nobre. O marido não sabia o que fazer. Ficou assombrado e assombrado e silencioso viu-a sahir pela porta fóra.

Em breve, estava no palacio da rua Larga. Ricardo não entrou; deixou que a moça o fizesse e foi esperal-a no Campo de Sant'Anna.

Ella subiu. Havia um immenso borborinho, uma agitação de entradas e sahidas. Toda a gente queria mostrar-se a Floriano, queria cumprimental-o, queria dar mostras da sua dedicação, provar os seus serviços, mostrando-se coparticipante na sua victoria. Lançavam mão de todos os meios, de todos os planos, de todos os processos. O dictador tão accessivel antes, agora se esquivava. Havia quem lhe quisesse beijar as mãos, como ao papa ou a um imperador; e elle já tinha nojo de tanta subserviencia. O califa não se suppunha sagrado e aborrecia-se.

Olga falou aos continuos, pedindo ser recebida pelo Marechal. Foi inutil. A muito custo conseguiu falar a um secretario ou ajudante de ordens. Quando ella lhe disse a que vinha, a physionomia terrosa do homem tornou-se de óca e sob as suas palpebras correu um firme e rapido lampejo de espada:

—Quem, Quaresma? disse elle. Um traidor! Um bandido!