E ella sorriu devagar, enigmaticamente, deixando parado o seu olhar luminoso, emquanto Ricardo, desconfiado, lhe sondava a intenção com os seus olhinhos vivos e meudos de camondongo.

Quaresma, que até ali se conservava calado, interveio:

—O Ricardo, Olga, é um artista... Tenta e trabalha para levantar o violão.

—Eu sei, padrinho. Eu sei...

—Entre nós, minha senhora, falou Coração dos Outros, não se levam a serio essas tentativas nacionaes mas, na Europa, todos respeitam e auxiliam... Como é que se chama, major, aquelle poeta que escreveu em francez popular?

—Mistral, acudiu Quaresma, mas não é francez popular; é o provençal, uma verdadeira lingua.

—Sim, é isso, confirmou Ricardo. Pois o Mistral não é considerado, respeitado? Eu, no tocante ao violão, estou fazendo o mesmo.

Olhou triumphante para um e outro circumstante: e Olga dirigindo-se a elle, disse:

—Continue na tentativa, Sr. Ricardo, que é digno de louvor.

—Obrigado. Fique certa, minha senhora, que o violão é um bello instrumento e tem grandes difficuldades. Por exemplo...