A afilhada apressou-se em responder ao padrinho, com alvoroço e alegria. Via-o já escapo á semi-sepultura da insania.
—Está bom, padrinho. Procurou papai ha dias e disse que a sua aposentadoria já está quasi acabada.
Coleoni tinha-se sentado. Quaresma tambem e a moça estava de pé, para melhor olhar o padrinho com os seus olhos muito luminosos e firmes no encarar. Guardas, internos e medicos passavam pelas portas com a indifferença profissional. Os visitantes, não se olhavam, pareciam que não queriam conhecer-se na rua. Lá fóra, era o dia lindo, os ares macios, o mar infinito e melancolico, as montanhas a se recortar num céo de seda—a belleza da natureza imponente e indecifravel. Coleoni, embora mais assiduo nas visitas, notava as melhoras do compadre com satisfação que errava na sua physionomia, num ligeiro sorriso. Num dado momento aventurou:
—O Major já está muito melhor; quer sahir?
Quaresma não respondeu logo; pensou um pouco e respondeu firme e vagarosamente:
—É melhor esperar um pouco. Vou melhor... Sinto incommodar-te tanto, mas vocês que têm sido tão bons, hão de levar tudo isso para conta da propria bondade. Quem tem inimigos deve ter tambem bons amigos...
O pai e a filha entreolharam-se; o Major levantou a cabeça e parecia que as lagrimas queriam rebentar. A moça interveio de prompto:
—Sabe, padrinho, vou casar-me.
—É verdade, confirmou o pai. A Olga vai casar-se e nós vínhamos prevenil-o.
—Quem é teu noivo? perguntou Quaresma.