—É um rapaz...

—De certo, interrompeu o padrinho sorrindo.

E os dous acompanharam-n'o com familiaridade e contentamento. Era um bom signal.

—É o Sr. Armando Borges, doutorando. Está satisfeito, padrinho? fez Olga gentilmente.

—Então é para depois do fim do anno.

—Esperamos que seja por ahi, disse o italiano.

—Gostas muito delle? indagou o padrinho.

Ella não sabia responder aquella pergunta. Queria sentir que gostava, mas estava que não. E porque casava? Não sabia... Um impulso do seu meio, uma cousa que não vinha della—não sabia... Gostava de outro? Tambem não. Todos os rapazes que ella conhecia, não possuiam relevo que a ferisse, não tinham o que, ainda indeterminado na sua emoção e na sua intelligencia, que a fascinasse ou subjugasse. Ella não sabia bem o que era, não chegava a extremar na percepção das suas inclinações a qualidade que ella queria ver dominante no homem. Era o heroico, era o fóra do commum, era a força de projecção para as grandes cousas; mas nessa confusão mental dos nossos primeiros annos, quando as idéas e os desejos se entrelaçam e se embaralham, Olga não podia colher e registrar esse anhelo, esse modo de se representar e de amar o individuo masculino.

E tinha razão em se casar sem obedecer á sua concepção. É tão difficil ver nitidamente num homem, de 20 a 30 annos, o que ella sonhara que era bem possivel tomasse a nuvem por Juno... Casava por habito de sociedade, um pouco por curiosidade e para alargar o campo de sua vida e aguçar a sensibilidade. Lembrou-se disso tudo rapidamente e respondeu sem convicção ao padrinho:

—Gosto.