A irmã, mais velha que elle, não partilhava aquelle seu enthusiasmo pelas cousas da roça. Considerava-o silenciosa, e, se viera viver com elle, não foi senão pelo habito de acompanhal-o. De certo, ella o estimava, mas não o comprehendia. Não chegava a entender nem os seus gestos nem a sua agitação interna. Porque não seguira elle o caminho dos outros? Não se formara e se fizera deputado? Era tão bonito... Andar com livros, annos e annos, para não ser nada, que doideira! Scguira-o ao «Socego» e, para entreter-se, criava gallinhas, com grande alegria do irmão cultivador.
—Está direito, dizia ella, quando o irmão lhe contava as cousas do seu trabalho. Não vá ficares doente... Neste sol todo o dia...
—Qual, doente, Adelaide! Não estas vendo como essa gente tem tanta saude por ahi... Se adoecem, é porque não trabalham.
Acabado o jantar. Quaresma chegava á janella que dava para o gallinheiro e atirava migalhas de pão ás aves.
Elle gostava desse espectaculo, daquella luta encarniçada entre patos, ganços, gallinhas, pequenos e grandes. Dava-lhe uma imagem reduzida da vida e dos premios que ella comporta. Depois, fazia indagações sobre a vida do gallinheiro:
—Já, nasceram os patos, Adelaide?
—Ainda não. Faltam oito dias ainda.
E logo a irmã accrescentava:
—Tua afilhada deve casar-se sabbado, tu não vaes?
—Não. Não posso... Vou encommodar-me, luxo... Mando um leitão e um perú.