Felizardo não respondeu logo. Apanhou a foice e acabou de cortar um galho que enleiava o tronco a remover. Anastacio estava de pé e considerou um instante a figura do companheiro palrador. Respondeu afinal:
—Eu! sei lá... Urubu pellado não se mette no meio dos coroados. Isso é bom p'r'o sinhô.
—Eu sou como você, Felizardo.
—Quem me dera, meu sinhô. Inda traz-antonte ouvi dizê que o patrão é amigo do marechá...
Afastou-se com o pau; e, quando voltou Quaresma indagou assustado:
—Quem disse?
—Não sei, não sinhô. Ouvi a modo de dizê lá na venda do hespanhol, tanto assim que doutô Campo tá inchado que nem sapo com a sua amizade.
—Mas é falso, Felizardo. Eu não sou amigo cousa alguma... Conheci-o... E nunca disse isso aqui a ninguem... Qual amigo!
—Quá! fez Felizardo com um riso largo e duro. O patrão tá é varrendo a testada.
Apezar de todo o esforço de Quaresma, não houve meio de tirar daquella cabeça infantil a idéa de que elle fosse amigo do Marechal Floriano. «Conheci-o no meu emprego»—dizia o Major: Felizardo sorria grosso e por uma vez dizia: «Quá! o patrão é fino que nem cobra».