[78] Palavra do-Pregador empenhada, e defendida. §. III.
[79] Hæc vitia unus aliquis inducit, sub quo eloquentia est: ceteri imitantur, & alter alteri tradunt. Seneca Epist. 115.
[80] Quintiliano.
[81] Aprovasam do-primeiro tomo das-Cartas do-Vieira, por Alexandre Ferreira.
CARTA SETIMA.
SUMARIO.
Fala-se da-Poezia. Os Portugueses sam meros versejadores. Prejuizos dos-mestres, de nam poetarem em Vulgar. Que coiza seja ingenho bom, e mao. Especies de obras de mao ingenho, em que caîram alguns Antigos, mas principalmente os Modernos. Necesidade do-Criterio, e Retorica, em toda a sorte de Poezia. Primeiro defeito de Poezia, a inverosimilidade: exemplos. Segundo defeito, os argumentos ridiculos. Reflexoens particulares, sobre as compozisoens pequenas Portuguesas; que nam podem dar nome, a um omem: defeitos da-Nasam, provados com exemplos. Reflexoens sobre o Epigrama Latino, Elogios, inferisoens Lapidares, Eglogas, Odes, Satiras, poemas Epicos. Que os Portugueses nam conhecèram as leis, do-poema Epico: prova-se com Camoens, Chagas, Botelho de Morais. Aponta-se o metodo, com que se-devem regular os rapazes, no-estudo da-Poezia. Nova ideia de uma Arte Poetica, util para a Mocidade.
A carta que V. P. me-mandou nesta semana, deu-me particular consolasam; porque vi nela a imagem, da-sua soberana prudencia, do-seu criterio exatisimo, e da-sua inimitável ingenuidade. Mas isto é pouco: vi nela executado, tudo o que este genero pode permetir, em materia de Retorica. V. P. quiz dar-me dois contra: e mostrar-me, que as minhas reflexoens eram superfluas: pois avia um omem neste mundo, que sabia executar primorozamente, tudo aquilo. Mas diso mesmo me-rezulta, grande gloria. Ou V. P. o-fez, porque eu lho-avizei; e neste cazo, que gloria nam será a minha, de ter um dicipulo desta qualidade? ou o-fez porque asim o intendia, sem que lhe-avizáse; e fico igualmente gloriozo, vendo que as minhas reflexoens se-conformam, com as de uma pesoa, que eu estimo tanto. Ponho de parte os outros comprimentos, que me-faz: porque nam quero uzurpar, o que nam mereso. O que eu escrevi, nam é meu, mas o que ensináram os omens mais insignes, nesta faculdade: de cuja lisam eu o-tirei. a estes é, que V. P. o-deve agradecer: e a mim, só a boa vontade que tenho, de o-servir.