É o castigo!

Henrique

(Recuando e disposto a sahir)

Passe Vossa Excellencia muito bem
Minha Senhora!!

(Apontando para a porta){30}

Aquella porta, tem
O condão de se abrir ante a passagem
D'este tão illudido personagem;
E se aqui vim, buscando honestidade,
Convicto saio e vou, da falsidade
Com que ella se proclama e annuncia!
Tudo, emfim, é a mesma hypocrisia,
Variando sómente em sociedade;
Porquanto; se lá fora a indignidade
Se expõe, aqui se occulta no cynismo
Que rodeia o ambiente! Pasmo e abysmo,
Senhora, do que vejo! Abysmo e pasmo
Ante o revoltantissimo sarcasmo
Que preside á mudança d'este lar
No mais indecoroso lupanar!

Arminda

(Revoltadissima)

E eu então, pasmo e abysmo, meu senhor,
Do biltre que, sem honra e pondonor,
Se arroja a censurar, altivamente,
A esposa que despreza infamemente!

(Altiva, apontando-lhe a porta)