(Cruzando os braços)
Que farçante!
Henrique
Serei; no entanto, como as bôas farças
Reclamam a presença de comparsas,
Queira representar o seu papel,
Indicando com essa alma de fel
A peçonha do mal que tanto encobre
Nas apparencias d'uma casa nobre!...
Vamos? Queira sahir d'esse mutismo
Que estampa hypocrisia e diz cynismo!
Queira tirar a mascara traidora{38}
E mostrar ante mim e esta senhora
Como a deshonra n'este lar se fez
E abunda por aqui aos pontapés!...
Arminda
(Com repugnancia)
E porque não, indigno cavalheiro!
Porque não hei-de, em modo sobranceiro,
Indicar-lhe o que pede no momento?
Porque não hei-de dar conhecimento
Ao que exige em palavras que só são
Proferidas p'la bocca d'um villão!
Porque não hei-de com toda a altivez,
Mostrar como anda o mal a pontapés?!
(Apontando para Margarida)
Mire-se no instrumento de façanhas
E d'outras mil proezas que são ganhas
Na desgraça. O mal, paira por alli,
E tambem d'egual fórma o veja em si,
Como estigma do mais reles exemplo
Da profanação d'um culto e d'um templo!
Margarida