(Interrompendo e dirigindo-se impaciente a Henrique)
Por Deus, senhor! Indique-me onde estou?!
Henrique
Na casa de quem só rivalisou
Com a miseria a outros imputada
E que, insultando mesmo, toda irada,
A presença das nossas entidades,
O faz, creia, nas mesmas igualdades
Do direito com que eu deva insultar,
Da causa, que m'instiga p'ra accusar;
E, se insultos se pagam com insultos,
Veremos então quem profana os cultos
Do bom caminho; quem mancha e arruina
O que a moralidade nos ensina!
Veremos então quem mais enodeia,
E quem com crime e farça mais hombreia!{39}
Arminda
(Indignadissima)
É o homem que, sem brio e pundonor,
Assim falla! É o biltre, cujo horror
Repugna a toda, a toda a consciencia,
E talvez até á d'essa existencia
Que ora aqui trouxe para mais vexame
Meu! É o homem preverso, mau, infame,
Ultrajando o que só é digno e honesto!
Henrique
(Interrompendo)
Mas que ao mais pequenino e simples gesto
Irá destruir essa honestidade
Apregoada com tanta falsidade!