Margarida
(Antepondo-se)
E é já tempo, senhor, para o fazer,
Visto que me pretende convencer
Do que vem affirmando.
Arminda
Ouça, senhora:
Creio bem que, ante força vingadora,
Me encontro n'esta salla; e é bem certo
Que, seja p'lo que for, eu já desperto
Mais ou menos da minha inconsciencia,
Para crêr que pratico irreverencia
Encontrando-me n'estes aposentos.
E eu então, que não tenho sentimentos
Senão os que a desdita me deixou,
Sinto que dentro em mim ora soou
Alguma coisa sã, e não sei quê
D'extranho, a confirmar a crença e fé
Que ha pouco me assistia, suspeitando
De que, por aqui, não anda pairando
O mal...
Henrique
(Atalhando)
Mas... como assim?! Se tal suspeita,
Vae muito brevemente ser desfeita
Ante o espelho fiel, e reflectir...
Arminda
(Interrompendo)