Carlos (desesperado)

Basta senhora, se é muita a prudencia
Minha, maior é inda a gran cordura
Com que ouço semilhante confissão,
De deshonra, de vergonha e amargura!…

Bertha (áparte)

E para mim, de tanta inspiração!

Carlos (continuando)

Basta, sim! E nem mais uma palavra
Que aggrave tão fataes desenganos,
Nem augmente a dôr que em minha alma lavra,
Sabendo que motivos bem profanos
Ao meu lár desventura agora traz:
Ao lár onde até aqui sómente via,
Ninho feito de amôr, feito de páz,
Na mais leal e santa companhia;
Ninho feito de bençãos infinitas,
Canto da mais risonha f'licidade
Por Deus enviada em graças bemdictas,
Berço de sã virtude e honestidade…
………………………………
E só agora, só n'este momento,
De tão louca illusão tenho o alcance!

Bertha (áparte)

Graças! e parabens ao meu talento,
Que já encontra assumpto p'ra um romance!

Carlos (continuando)

E só agora, apenas n'este instante,
Vem dizer, revelar, esta Senhora,
Que ousou cahir nos braços d'um amante!!