Em quanto assim fallava o viandante O alforge e o bordão alevantava, E mal que terminou, no mesmo instante Da cristalina fonte se apartava. O enternecido, transportado amante Debalde uma, e mil cousas perguntava, Mais não volveu resposta o peregrino, E mudo foi seguindo o seu destino.
FIM DO CANTO TERCEIRO.
CANTO QUARTO.
Mas quem póde livrar-se por ventura Dos laços que amor arma brandamente Entre as rosas, e a neve humana pura, O ouro, e o alabastro transparente?
Camões, Lus., C. 3.º, E. 142.ª
a socegada noite o astro cadente P'ra plaga occidental já se inclinava: Precursora do Sol resplandecente A matutina estrella scintilava. Do Téjo sobre a placida corrente Nem a mais leve brisa volitava, Jazia a folha immovel no arvoredo Tudo dormia socegado, e quedo.
Apenas o silencio prolongado Lá do longinquo charco interrompia A grasnadora raã, do ramo alçado O triste mocho, que agoureiro pia. Eis que ao longo do rio socegado Um fraco som parece que se ouvia Compassado, moroso, e similhante Ao surdo murmurar de agua distante.
Distingue-se melhor, em força cresce Pouco a pouco se vem approximando, Com o murmurio das aguas já parece Ouvir-se o som do lenho em lenho dando, Saltando a limpha a espaços resplandece, O cristal se desliza sussurrando. «Alerta companheiros com presteza «Os remos esforçai, que é certa a preza!