Sobre ellas um vulto annoso Candidas roupas trajando, N'um vôo ao ceo pressuroso Alva pomba contemplando.
Dizem mais: que os que souberam O caso digno de chôro, Áquella torrente deram O nome de Rio Mouro.
Que Ruy na sepultura Longo tempo suspirára, Deposta a nobre armadura, Que do martyr Pai herdára;
Que alfim do pranto exhauridos Os olhos seus se seccaram, E seus ais, e seus gemidos Para o Senhor se voltaram.
Que do ceo a queixa ouvida, Com balsamo de alta espr'ança Lhe sarou Deos a ferida, Lhe mandou da alma a bonança.
De Cintra no ermo escabroso No serro o mais retirado, Além do monte viçoso Monserrate ora chamado,
Dois penhascos se elevavam Que immensa louza cobria, E uma caverna formavam Que ao ponente a porta abria;
Alli, dos homens remoto, Dos seus proprios ignorado, Ruy sob um nome ignoto Terminou mistico fado.
Alli do nascer da aurora Té ao ultimo fulgor Entoava em voz sonora Os hymnos ao Creador.
Das plantas da penedia, Dos fructos do agreste monte, Sua comida fazia, Bebida lhe dava a fonte.