Assim consumiu seus annos Á solidão consagrados, Té que, cumpridos seus fados, Poz Deus um termo a seus damnos. Partiu-se de entre os humanos Sua alma candida e pura, Os anjos a sepultura Entre as penhas esconderam, E as memorias se perderam Da sua triste aventura.
Longo tempo abandonada Jazeu a selvagem gruta, Do lobo, e raposa astuta Foi longo tempo habitada. Té que a prole sublimada Do ultimo lume do Oriente Um asylo penitente No serro agreste erigiu, E de novo alli se ouviu O louvor do Omnipotente.
Os annos correram, Que tudo mudando Volvem derribando O mesmo que ergueram;
Da suave amante Perdeu-se a memoria, Esqueceu-se a gloria Do Joven brilhante.
No castello antigo Berço a seus amores Môchos piadores Só tem seu abrigo;
Selvagem verdura C'o a hera lustrosa Da muralha annosa Cobrem a structura:
De um lado inda a selva Se mostra virente, Matiza inda a relva Do Lena a corrente,
Inda o musgo brando. Vestindo os penedos, S'ta nos arvoredos Amor convidando;
Mas já não lastima O echo das fragoas Da triste Fatima As pena, e as magoas.
Do Téjo na borda Ind'hoje aos salgueiros O batel co'a corda Prendem os remeiros,