A humida esteira Tranquillos sulcando, Vem inda remando De noute as bateiras,
Mas da Moura linda, Do Guerreiro amante, No bronco habitante A memoria é finda.
De Cintra a viçosa As frescas torrentes Vem inda fluentes Á selva frondosa,
Das aves ainda Na matta sombria A doce harmonia Com o dia não finda,
Sua doce frescura, Suas limpidas fontes, Seus farpados montes De altiva structura, Sua luz clara e pura, Seu ceo azulado, Seu mar empolado, Que o tempo venceram, Memoria perderam Do Pár desgraçado.
Tu só, tu, fantesia inseparavel Das margens do meu Téjo, e seus verdores, Tu, ceo da patria, ceo incomparavel, Que n'alma, qual no campo, espalhas flôres: Só tu resuscitaste o lamentavel Destino de tão firmes amadores; Só tu, do tempo alevantando o manto, Sobre as campas de amor chamaste o pranto.