Se vossa Dama vos dá
Tudo quanto vós quizestes,
Dizei-me: p'ra que lhe déstes
O que vos ella fez ja? [{52}]

Volta.

Sendo os restos envidados,
E vós de cachas mil contos
Sabeis com quão poucos pontos,
Que lhos achastes quebrados;
Se o que tẽe, isso vos dá,
Vós mui bem lho merecestes,
Porque se a cacha lhe déstes
Tinha-vo-la feita ja.

—oOo—

MOTE.

Menina formosa e crua,
Bem sei eu
Quem deixará de ser seu,
Se vós quizereis ser sua.

Voltas.

Menina mais que na idade,
Se para me querer bem
Vos não vejo ter vontade,
He porque outrem vo-la tem;
Tẽe-vo-la, e faz-vo-la crua.
Porém eu
Ja tomára não ser meu,
Se vós não foreis tão sua.
Nos olhos, e na feição
Vos vi, quando vos olhava,
Tanta graça, que vos dava
De graça este coração:
Não o quizestes de crua, [{53}]
Por ser meu:
Se outrem vos dera o seu,
Póde ser foreis mais sua.
Menina, tende maneira,
Que ainda não venha a ser,
Pois não quereis quem vos quer,
Que queirais quem vos não queira.
Olhae não me sejais crua,
Que pois eu
Quero ser vosso, e não meu,
Sêde vós minha, e não sua.

—oOo—

A HUMA DAMA DOENTE