Alcmena e Bromia.

ALCMENA.

Oh mulher triste e suspensa
Da mais alta confusão
Que nunca vio coração!
Em que mereces a offensa,
Que te faz Amphitrião?
Sempre de mi foi amado,
Tanto quanto em mi se sente,
Co'o coração tão liado,
Que se de mi era ausente,
Nelle o via figurado.
E pois mulher, que cumprisse
Melhor qu'eu fidelidade,
Não a vi, nem quem me visse
Que dos limites sahisse
Hum pouco da honestidade.
Pois porque he tão maltratada
Innocencia tão singella? [{356}]
Que a pena mais apertada,
He a culpa levantada
Ao coração livre della.
Mas ja que minh'alma está
Sem culpa do que padeço,
Seja o que for; qu'eu conheço
Que a verdade me porá
No qu'eu pola ter mereço.
Bromia?

BROMIA.

Senhora.

ALCMENA.

Hi mandar
A Feliseo, que vá
Meu primo Aurelio chamar;
Que lhe quero perguntar
Que conselho me dará.
E pois que Amphitrião
Vai buscar somente quem
Lhe ajude a sua tenção,
Quero eu ter aqui tambem
Quem me defenda a razão. [{357}]

ACTO QUARTO.

SCENA I.

Jupiter, Alcmena e Sosea.