ALCMENA.
Não se alcança assi perdão
D'erro que não tẽe desculpa.
JUPITER.
Ora pois assi tratais
Quem em tanto risco pôs
O amor que vós negais,
Eu m'ausentarei de vós
Onde mais me não vejais.
Que, pois desculpa não tem
Coração que tanto quer,
Vou-me; que não será bem
Que quem vós não podeis ver,
Que possa mais ver ninguem.
Se algum'hora meu cuidado
Vos der dor, em que pequena;
Peço-vos, pois fui culpado,
Que vos não peze da pena
De quem vos foi tão pezado. [{360}]
E despois que a desventura
Puzer este coração
Debaixo da sepultura,
As letras na pedra dura
Vossa dureza dirão.
Isto vos hei de dizer,
Que m'ensinou minha dor:
Se quizerdes leda ser,
Nunca exprimenteis amor
Em quem vo-lo não tiver.
Deixae-me ir; não me tenhais.
ALCMENA.
Amphitrião, não choreis!
Amphitrião!
JUPITER.
Que quereis,
Ou para que nomeais
Homem, que ver não podeis?
ALCMENA.
Amphitrião, s'eu causei
Com manencória pequena
Cousa, com que o magoei;
Eu quero cahir na pena
Dessa culpa que lhe dei.