E manifesto:
E tudo tẽe ja por seu
Adúltero e deshonesto:
Tẽe-me tomado o meu gesto,
E faz-lhe crer que sou eu.
AURELIO.
Contais hum caso d'espanto!
E pois não podeis entrar,
Defendei-me por em tanto,
Que eu hei lá de chegar
Para ver quem póde tanto,
SCENA VI.
AMPHITRIÃO só.
Se ver deshonra tão clara
Me não tivera o sentido
Totalmente endoudecido,
Que gravemente chorára
Ver tão grande amor perdido!
E quando vejo a verdade
Do nosso amor e amizade
Desfeita com tanta mágoa
Enchem-se-me os olhos d'ágoa,
E a alma de saudade.
Assi que quiz minha estrella,
Para nunca ser contente, [{380}]
Que agora, estando presente
Viva mais saudoso della,
Que quando della era ausente.
Esta porta vejo abrir
Com impeto demasiado,
Que poderei presumir,
Que vejo Aurelio sahir,
Como homem desatinado?
SCENA VII.
Amphitrião, Aurelio, Belferrão e Sosea.
AURELIO.
Oh estranha novidade!
Oh cousa para não crer!